quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A língua de Eulália

Bagno traz através da novela sociolinguística A língua de Eulália, os embargos e soluções das dúvidas e preconceitos diários do entendimento do leitor sobre o português.
O enredo passa-se numa viagem de férias de três estudantes universitárias ao interior de São Paulo, Vera, Emília e Silvia. Essas férias prometem ser mais que um passeio. O destino é a casa de uma professora universitária “aposentada” Irene e sua amiga Eulália.
A partir de discussões sobre a forma diferente de falar de Eulália as três jovens atualizarão seus conhecimentos linguísticos com a professora Irene. Passam a se reunir todos os dias para discutir o português nosso de cada dia.
O livro faz uma viagem às origens da língua contemplando as mudanças, fenômeno inevitável.
Alguns termos são pautados por Bagno.  Através de explicações profundas, mas simples o leitor conhece o PNP, entende que todo professor é professor de língua, que todos conhecem e sabem falar o português, que o que há realmente é o preconceito social elucidado como linguístico. Explica o rotacismo, a questão da pluralização, o fenômeno da redução, lembrando até que o português deriva de um latim “vulgar”.
Bagno aponta, através desta obra que o que existe é o diferente. E que todas as diferenças que denomina estigma possuem uma raiz, uma razão. Trata-se de uma leitura agradável, enriquecedora e muito útil.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A norma oculta, de Bagno.


 A norma oculta: língua & poder na sociedade brasileira
Marcos Bagno, em seu livro A norma oculta: língua e poder na sociedade brasileira, traz reflexões profundas do cotidiano da língua portuguesa e seus falantes.
Logo no primeiro capítulo intitulado Por que “norma”? por que “culta”? Bagno elucida o que vem a ser norma, traçando um quadro comparativo das duas vertentes deste substantivo, a saber, normal e normativo, sendo um o real e o outro o ideal, respectivamente. O termo culto refere-se ao estrato social de quem se atribui o falar rebuscado da literatura de “não se sabe quem”. Aquilo que não faz parte desta estratificação é estereotipado como “erro”.
Importa também salientar que no falar privilegiado da população há um distanciamento do português-padrão, marcado aqui como norma padrão (ideal). Maior distanciamento é perceptível entre este e as variedades estigmatizadas.
E são estes os termos utilizados por sociolinguistas para caracterizar a língua em relação à sociedade brasileira: padrão (tradição gramatical); prestígio (falantes com escolaridade superior completa); e estigma (norma popular – “inculta”, “estropiada”).
Vale ressaltar que esta estratificação tem mais que ver com a posição social dos falantes que propriamente o falar em si. Argumento este embasado nos termos supracitados: o falar privilegiado está longe de ser a norma ideal (padrão), porém construções consideradas “erros crassos” quando cometidos por falantes estigmatizados não são consideradas tão “erradas” assim quando realizada por falantes de prestígio.
No último capítulo que intitula a obra de Bagno, Norma oculta, aponta uma discriminação não explícita por trás do disfarce linguístico, a discriminação social. Pode-se então contemplar que Bagno instiga o leitor a questionar o excesso de conservadorismo, examinar a língua e remover o rótulo de “erro” aplicado à fala.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Educação

Ken Robinson em sua palestra no TED- centro de conferências de assuntos diversos e relevantes-, disponível no canal do youtube.com, aponta a escola tradicional como um ambiente que atrofia e, paulatinamente, extingue a criatividade do indivíduo. Esse indivíduo é inserido em um universo “alheio” a si e, considerado sem conhecimento de valores reais para a educação tradicional, é moldado.
E não há problemas ou questionamentos em se propiciar uma direção, um norte: quando uma criança chega a uma sala de aulas traz consigo uma bagagem em seus poucos e tenros anos. É o conhecimento de mundo e comunicação que apreendeu. E ainda tem um mundo todo para absorver, canalizar, selecionar, descartar e utilizar. Ela precisará de direcionamento e esse direcionamento é válido quando sua bagagem tem espaço no “universo alheio”.