terça-feira, 9 de julho de 2013

DRAMA: oficina de escrita criativa

ESPERTO: Tenho um bom negócio pra nós dois.
INGÊNUO: Que negócio?
ESPERTO: Abençoar as pessoas da vila.
INGÊNUO:Mas onde a gente vai achar outro padre?
ESPERTO: Não tem outro padre, mas não precisa de padre.
INGÊNUO:Não? Mas como abençoa sem padre?
ESPERTO: Água benta.
INGÊNUO: Mas onde vamos conseguir água benta?
ESPERTO: A torneira casa foi abençoada pelo padre da vila. Agora que ele tá cansado e não pode mais abençoar a gente vende água benta lá de casa.
INGÊNUO: Mas será que isso é certo?
Consciência: Acaso torneira dá água benta?
ESPERTO: Veja bem:
O povo precisa de benção,
A gente tem bastante água.
E a gente precisa de dinheiro.
INGÊNUO: Mas se eles descobrirem que você vende água de torneira?
ESPERTO: Não vão descobrir porque não vou vender.
INGÊNUO: Você vai doar, então?
ESPERTO: Não! Você vai vender.
Consciência: Não se fie no conselho de espertos. Enganar inocentes sempre dá errado.
INGÊNUO: Não quero prejudicar ninguém.
ESPERTO: Não seja frouxo. Você não vai prejudicá-los: vai abençoá-los!
INGÊNUO: Ora, se descobrirem vou culpar você.
ESPERTO: Ninguém será culpado. Abençoar pessoas é um ato de solidariedade. Receber pela benção é uma recompensa.
Consciência: Não confunda benevolência com indecência. Pense bem!
INGÊNUO: Pensei; quero ser benevolente. Vou ajudar você nesse negócio. Dá a água benta aí.


NOTA: Não há nesse texto apologia às religiões. É uma produção da disciplina de oficina criativa com tema escolhido. JLS.

terça-feira, 18 de junho de 2013

"INSIGNIFICÂNCIA": Oficina de escrita criativa.

Quem nunca me viu assim tão pequeno, tão quieto, de olhos no chão.
Pés enlameados desprovido de vergonha, de pudor.
Quem nunca me viu assim tão pálido de olhos arregalados, grito preso, calado.
Desprovido de força contrariando o pensamento alheio, sou forte em reconhecer que sou fraco
e no admitir que nada posso fazer.
Sou vazio por dentro, ser oco, inanimado.
De mim fogem os pensamentos, não penso.
Estou na roda gigante do medo e dele mesmo me espanto.
Tenho medo do medo, da vida e das pessoas.
E por isso vacilo em cada passo que dou
Não tenho esperança de nada
Também em nada acredito
Porque sei que nada sou
Não ando errado, mas não tento acertar
Vou passando pela vida como alguém invisível
que nada sente,
nada faz,
nada é...

JLS ; Qz.

domingo, 2 de junho de 2013

TEXTO DRAMÁTICO - Oficina de Escrita Criativa

O CASO DOS SENTIMENTOS ROUBADOS (ATO ÚNICO)

Tarde da noite, um travesseiro recebe três amigos e uma queixa:
TRAVESSEIRO: não compreendo... da última vez que nos encontramos estava tudo bem...
CORAÇÃO: Ah travesseiro nem direito sei como aconteceu...
TRAVESSEIRO: havíamos feito projetos para essa noite e prometemos que juntos teríamos bons sonhos.
CÉREBRO: espera um momento sonhos como os que foram feitos não é projeto meu.
TRAVESSEIRO: Também me lembro que vocês me disseram que nunca mais eu seria molhado.
OLHO: desculpe-me amigo, dessa vez não pude evitar.
TRAVESSEIRO: alguém me diga o que aconteceu, então.
OLHO: bem, não sei te dizer como tudo começou, estava fechado, nada pude ver.
CORAÇÃO: fui enganado travesseiro, estou quebrado, outra vez, travesseiro.
CÉREBRO: não me culpem por não estar alerta, eu fui logo desligado quando o olho se abriu...
OLHO: ei! Também fui enganado, não fui treinado para aquele tipo de negócio, nem sabia que era possível.
CORAÇÃO: ouçam, ouçam: nessa manhã estava distraído com todas as coisas que pensamos fazer; com todos os sentimentos que estávamos cultivando, vocês sabem: a auto-estima, o amor próprio, a esperança, a...
CÉREBRO: como sempre você estava distraído cheio de coisas!
CORAÇÃO: não me culpe por estar cheio de coisas e deixe de ser tão crítico!
TRAVESSEIRO: Cérebro deixe o coração continuar! Quero ouvi-lo.
CORAÇÃO: ...como estava dizendo: a autoconfiança, quando ouvi uma voz melodiosa que cantava ao ouvido, vinha do ouro lado da escada.
OLHO: bem acho que foi bem aqui que eu abri e vi aqueles olhos me olhando e o lindo sorriso.
CÉREBRO: E bem aqui me desligaram!
TRAVESSEIRO: Cérebro?!
CORAÇÃO: não dei muito crédito ao que ouvi, estava feliz, confiante, então não achei que deveria me prevenir de nada nem conversar com ninguém sobre isso...
TRAVESSEIRO: e o olho não estava aberto? Ele não percebeu nada de estranho?
Coração suspira triste...
CORAÇÃO: o olho nunca tinha visto sorriso mais lindo...
CÉREBRO: e ninguém se lembra de mim quando é preciso.
TRAVESSEIRO: e depois, o que aconteceu Coração?
CORAÇÃO: bem, achei que resistiria, mas fui cedendo espaço...
Pausa e silêncio
CORAÇÃO: um a um meus novos sentimentos foram por ele levados. Então, trocando minha autoconfiança pela confiança nele, o meu amor próprio substitui pelo amor a ele e as promessas dele se tornaram minha esperança.
CÉREBRO: dois parágrafos de conversa e ele já vem falando de amor.
TRAVESSEIRO: deixe que ele continue.
CORAÇÃO: infelizmente não durou muito e no fim da tarde as promessas se quebraram. Ele foi embora sorrateiramente com tudo o que era meu e eu.
CÉREBRO: Ah, mas não foi só isso!
TRAVESSEIRO: E já não seria suficiente?
CORAÇÃO: não, ele não se contentou em ir deixou os sentimentos dele aqui.
TRAVESSEIRO: então ele chegou, brincou e quando você se apegou ele foi embora?
CORAÇÃO: foi bem assim que aconteceu...
CÉREBRO: E só aí que me ligaram de novo, quando o estrago tinha acontecido.
Com tom irônico...
CÉREBRO: Quase canto aquela música “eu bem que te avisei”! Amanhã vê se me deixa ligado e me escuta.

  JLS